sábado, 15 de janeiro de 2011

A ‘Passione’ do Brasil

“Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou personagens reais é mera coincidência”
Clara tinha em punho a arma do crime desde o início. Estava lá e você não viu porque não quis. O Fred? Ah, o Fred, esse foi o idiota da vez. Mas para (Reinaldo) Gianecchini, o filhote de ruindade comparado ao insosso Edu (Laços de Família - 2001) foi fruto de uma atuação até surpreendente. Totó foi o super homem das 09h. Só não voou. Morreu e ressuscitou na terceira semana e casou com a mulher do Ciro Gomes.
Já Leonardo Villar, no auge de seus 87 anos bem vividos e tão bem atuados, foi o grande veterano da trama, que também contava com Cleide Yaconis, Elias Gleiser e Emiliano Queiroz. Villar soube emocionar com simplicidade na pele do personagem de duas vidas Giovanni / Antero. 
Falando nisso, mas que novela gostosa de se ver. Valia o dobro por ter feras da terceira fase da vida mostrando que a melhor idade para arrancar risos e emoções é essa.
Seria injusto falar de cada um que se destacou na história dos Italianos que vem ao Brasil. Personagens como Berillo, Jéssica, Clô, Olavo (Cuoco), Mimi e até a bela Agostina foram sensacionais. Animaram, fizeram quebrar o gelo de um enredo tão pesado, tão enigmático.
Os coadjuvantes roubaram a cena com talento, mas sob direção de Denise Saraceni e um texto bem amarrado do mestre Silvio de Abreu, a “pompa e responsa” voltava naturalmente ao seu dono de direito, ou melhor, sua dona: Mrs. Fernanda Montenegro mostrou o que é fazer uma novela de verdade. Com convicção ao incorporar a matriarca (por direito) da família Gouveia, Fernanda foi além de uma simples novela, foi profundamente da dor de uma mãe e empresária roubada até a rapidez de uma astuta como poucas vistas.
Mas o renascimento de Totó ainda não foi maior que a salvação da “ruindade em pessoa” da Clara. Morta, ela mata, se joga, foge e engana todos. Igualzinho na vida real.
Mariana Ximenes, diga-se de passagem, firmou-se de vez como atriz. Encarou sua primeira vilã e deixou suas boas mocinhas enterradas no vasto campo sensual e inescrupuloso da complexada Clara. Ganhou status de celebridade. Em agosto de 2010, estampou a capa da Rolling Stone Brasil “com o diabo no corpo”.
O atormentado Fred foi ruim até dizer chega. Matou, roubou, vingou, mas não tanto quanto o anjo mau da bela Clara. Kiara!
A velha porca pedófila, vivida pela experiente Daisy Lucidi, foi o retrato do puro mal que perambula mundo afora.
Gerson decepcionou muita gente, mas foi o mais próximo do real possível, de um modo mais leve para o horário (óbvio). Mas as pessoas queriam que ele tivesse um alienígena na barriga ou o Bilu na tela do computador.
O Saulo foi mau (o mal dominou Passione) e morreu pelas mãos de quem o merecia.
Silvio fez uma trama envolvente, mas de audiência relativamente baixa. No entanto, isso não representa um fracasso, ao contrário, para os novos critérios de audiência esse foi um sucesso. Independente de ibope, foi uma história sensacional. Se apenas uma pessoa assistisse já seria um sucesso, porque é bom.
Mas quando se está na telinha é ruim para a própria massa que o assisti. O intelecto o tacha de nicho do mercado televisivo, sem ao menos assistir um capítulo que seja.
Para os pessimistas, vejam os números de acessos dos vídeos relacionados à novela no You Tube e provem do fracasso de maior credibilidade da história.
O pop é ruim. Hoje, Titanic é uma merda.
Palmas para Passione!
Marcos Ferreira Silva

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nós em Marte

O texto abaixo não passa de uma mentira deslavada, mas foi com ele que ganhei um emprego. O teste pedia para noticiar a ponte-aérea Terra – Marte. Assim foi feito.
Só que essa discussão toda me fez lembrar do grande Renato Russo e seus “Marcianos invadem a Terra”.
Fiquei pensando em milhares de coisas que aquilo poderia significar. Existem tantas teorias que se faz em volta das críticas que Renato fazia em suas canções que o imaginamos de uma forma distorcida. Dessa vez, resolvi ficar com o sentido pé da letra e viajar até planeta vermelho.
PRIMEIRO CARRO ESPACIAL BRASILEIRO PARTE PARA MARTE
A primeira viagem do Carro Espacial Brasileiro conta com passageiros ilustres como o cantor Roberto Carlos e Pelé
Na última sexta-feira, 22, a Base da Agência Espacial Americana (Nasa) instalada em Ribeirão Preto, a cerca de 290 Km da capital de São Paulo, foi palco do primeiro vôo comercial Terra-Marte. A viagem era esperada com ansiedade pela população mundial, pois até aquele momento só havia ocorrido um vôo teste, porém apenas com tripulantes realizado nos Estados Unidos, em julho deste ano, durante as comemorações do dia da independência americana.
Os presidentes, do Brasil Luís Inácio Lula da Silva e o Americano Barack Obama estiveram entre os passageiros. A lista também contou com algumas pessoas ilustres, tais como o ex-jogador de futebol Pelé, o escritor Paulo Coelho, o cantor Roberto Carlos, o ministro de Relações Internacionais do Brasil Celso Amorim, a Secretária de Estado Americano Hillary Clinton e o empresário brasileiro Abílio Diniz.
“Nunca antes na história, um evento mobilizou tanto os holofotes do mundo” – afirmou o presidente Lula durante discurso emocionado ao lado de Barack Obama. Lula também ressaltou o avanço da ciência no país como um passo importante para o mundo. “Para quem não sabe, esse momento só está ocorrendo porque cientistas brasileiros, com o apoio do governo federal, puderam ao lado de cientistas do mundo todo desenvolver esta maravilha” – afirmou Lula.
Foram investidos 3 bilhões de reais neste projeto, cerca de 90% deles liberado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o restante do valor veio da iniciativa privada e de alguns milionários que preferiram o anonimato, destes, R$ 4 milhões foram para a construção da pista de pousos e decolagens Cruzeiro do Sul, em Ribeirão Preto, onde já funcionava uma base de estudos da Nasa – R$ 45 milhões para estudos e o restante para a construção de 25 Carros Espaciais, que farão o trajeto entre os dois planetas e a construção da Base Galatic World em Marte, que conta com 3 pistas que receberam os carros da Terra e um centro de estudos espaciais.
Segundo os organizadores, a festa de lançamento da ponte aérea contou com a participação de 1 milhão e trezentas mil pessoas vindas de todo o planeta para assistir a decolagem. Quem esteve lá pode aproveitar os shows com os artistas internacionais Black Eyed Peas (Califórnia - EUA), Pearl Jam (Seatle - EUA) e Shakira (Colômbia), além dos Brasileiros do grupo Skank, as cantoras Ana Carolina Ivete Sangalo e o cantor, também passageiro, Roberto Carlos.
 “É uma emoção que não é possível explicar, só tenho agradecer a Deus por estar aqui” – disse Roberto Carlos durante a introdução da canção “Emoções”.
O evento foi mostrado ao vivo em TVs por toda América do Sul, Estados Unidos e Europa, alcançando picos de audiência em vários países. No Brasil, de acordo com os índices de medição, emissoras que mostravam o evento representaram 95% dos televisores ligados em todo o país.
O presidente da NASA, Michael Griffin, disse na coletiva de imprensa, realizada na noite de quinta-feira, 21, que “o Brasil, graças ao avanço do país no núcleo tecnológico e científico, merecia ganhar o direito de marcar o começo destas operações”.
Em carta oficial, a General Motors, fabricante dos Carros Espaciais ao lado da América Airlines, disse que “esse fato inicia as pontes aéreas entre o nosso planeta e Marte. Daqui pra frente, os vôos serão semanais e depois diários, no intuito de habitar por completo o planeta vermelho”.
A pretensão de habitar Marte deve-se ao acordo assinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005, que pretende utilizar o novo planeta como fonte de riquezas naturais para ajudar a salvar a Terra contra o aquecimento Global.
Já existem 250 casas prontas para serem habitadas em Marte. Todos os passageiros desta primeira viagem nacional já possuem uma casa no planeta.
Para adquirir uma residência marciana, o proprietário tem de dispor de US$ 250 milhões de dólares. Os Bancos estatais da Europa, Estados Unidos, China e Brasil financiam a compra em até 15 anos. As viagens são pagas à parte e custam US$ 4 milhões de dólares.
O primeiro a embarcar na nave foi o Rei Pelé, que não concedeu entrevista, mas antes de entrar disse em voz alta que estava muito emocionado e soltou um grito de “Obrigado Brasil”. Pelé foi seguido de Paulo Coelho (que recentemente escreveu o livro Viagens a Lua) e Roberto Carlos. Depois, subiram Celso Amorim, Hillary Clinton, Abílio Diniz e os presidentes Lula e Obama.
Uma contagem regressiva entoada por todos os artistas junto ao público anunciou o momento mais esperado. Pontualmente às 11 horas da manhã de 22 de outubro de 2010 (hora de Brasília), a espaçonave mais conhecida do mundo fez sua primeira decolagem como vôo comercial.
Outro Carro espacial decolou com mantimentos e equipamentos médicos. Os viajantes devem ficar, inicialmente 1 mês em Marte e depois retornar a Terra. Segundo a Nasa, a partir de 2011 os viajantes não terão limites de permanência no planeta.
As naves devem percorrer os 55,7 milhões de quilômetros entre os dois planetas em torno de 16 dias.
Os dois carros espaciais devem aterrissar em Marte às 18 horas do dia sete de novembro, com transmissão ao vivo para todo o planeta. Os tripulantes e passageiros devem voltar a pisar na terra em 15 de dezembro deste ano.
Marcos Ferreira Silva

sábado, 8 de janeiro de 2011

Aromas

Certas coisas nos remetem há anos atrás, nos faz ser nostálgico ao extremo. Hoje me aconteceu uma coisa assim.
Sabe aqueles raros momentos em que temos a essência da família reunida, para alguns, como eu, coisa rara. Sempre vai faltar um, ou muita gente especial. Aquela hora que se pode desfrutar daqueles que estão ali e que em outro tempo também esteve.
Em um final de semana de julho, com a temperatura acima da média, mas com uma noite levemente fria e um céu encoberto de pesadas nuvens - que a metereologia aposta que irão se dissipar até o amanhecer - estava meu irmão  e eu brigando como há dez, quinze, vinte anos atrás, mas agora ele era um pai de família e eu um ‘novo adulto’, com minhas responsabilidades e mazelas à parte.
Dessa vez, ele vinha me reclamar de um pote de creme para barbear vazio e enferrujado que eu insistia em manter, muito bem guardado, no armário do banheiro. Eu, com essa enorme fixação pelos bens materiais inúteis (desculpe, meu Deus) comecei inventar desculpas para mantê-lo lá. Nesse ‘joga fora’ – ‘não, não jogo’ em que nos encontrávamos, uma coisa me chamou a atenção. O cheiro do velho creme de barbear me pausou. Aquele fora o primeiro creme de barbear que usei na vida. Estava no meu primeiro emprego e ganhei um kit com creme e loções de uma médica (trabalhava num hospital).
Veja só, em primeiro lugar, não me lembrava a muito daquela pessoa, muito menos que eu já havia trabalhado num hospital. Mas o que mais me tocou foi lembrar das aventuras daquela época, dos amigos, das enrascadas, das tantas coisas engraçadas e das paixões, ou melhor, da paixão. O calendário pregara uma peça.
Esse inimigo mortal nos engana sempre. Dificilmente percebemos as coisas que aconteceram depois de muito tempo. As datas da folhinha morreram e com elas muitas coisas que nos eram imprescindíveis. Únicas. O tempo sempre faz isso.
E no disse me disse, qual decidíamos o que faríamos com o pobre creme de barbear, preferi esquecer o aroma que pairava com as lembranças e disse:
- Joga fora.
Optei esquecer aquela lembrança junto com o cheiro, e lembrar só dos que estavam ali. Infelizmente as lembranças nunca me trariam o que perdi de volta.
O cheiro foi embora, mas ainda lembro.
 
Marcos Ferreira Silva

sábado, 4 de dezembro de 2010

Analgésicos para os Urubus do Cinema

Os Urubus cercam o agreste seco e sofrido do cineasta pernambucano Marcelo Gomes. Juntando-se a um caminhão de Aspirinas que circula aquelas terras no ambientado ano de 1942, o diretor levou ao Cinema um projeto lindíssimo em cima de um roteiro que foca uma amizade peculiar. Uma espécie de Chicó e João Grilo (O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna) de mundos diferentes, mais sisudos, porém igualmente sinceros. Uma equilibrada mistura de drama e comédia que nos são apresentados com o uma simplicidade invejável.
Os dois amigos vividos no Longa-metragem Cinema, Aspirinas e Urubus são protagonizados pelo baiano João Miguel e pelo alemão Peter Ketnath. Dois seres de mundos inteiramente opostos que vêem suas histórias cruzadas no sertão brasileiro. Peter é Johann, um alemão driblando a guerra e se refugiando no nordeste brasileiro. João Miguel é Ranulpho, um paraibano que sonha em lagar sua terra natal atrás de novas oportunidades longe daquela “terra triste”. Tudo que os dois têm em comum é o desejo de mudar de vida, de construir novas realidades para suas histórias.
Ranulpho é o retrato de um sertanejo que sonha em viver uma vida distante do sofrimento do ‘sertão da fome’ e da seca. Suas esperanças se renovam quando Johann cruza seu caminho com um caminhão de Aspirinas, vendendo-as como um sonho numa tela de cinema – literalmente. Exibindo comerciais do produto numa sessão improvisada com lençóis, o alemão apresenta um mundo desconhecido ao povo dos lugares onde passa.
Marcelo Gomes levou as telas um filme que retrata o sertão nordestino de quase 70 anos atrás, mas que ainda contrasta muitas semelhanças com a terra do ‘bolsa família’ dos dias de hoje.
Estreante, mas com o talento de um veterano, o cineasta apresenta “o inusitado encontro de um alemão em busca de paz com um nordestino em busca de um sentido para a vida, somado ao encanto que o cinema proporciona mesmo num comercial de Aspirina. Rende momentos de pura poesia neo-realista” (Erika Liporaci, jornalista e colunista - 02/01/2005).
O filme nos carrega sem medo para o meio do nordeste. O longa, filmado com poucas câmeras, faz de cada uma delas o olho de quem passa por aquelas terras. Coloca-nos na altura dos olhos do povo que vê a seca destruindo suas vidas e em seus diálogos retrata o que é a realidade quando o mundo parece nos virar as costas.
Com uma fotografia deslumbrante – vencedora nesta categoria do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2005 – o que vemos é um céu amarelo e com terra branca e cinza. Marcelo Gomes explica os motivos da escolha nos pedindo uma reflexão: “Imagine a pupila dilatada de um alemão que chega ao sertão e um sertanejo fugindo da seca. Para os dois, aquele lugar precisa parecer um terreno hostil”. Daí esse sertão branco, sem um céu azul produzido pelo diretor de fotografia Mauro Pinheiro.
A história contada no filme é um relato do tio avô de Marcelo Gomes, mas o que chamou a atenção do cineasta e é o ponto chave da história é a universalidade de tudo. “São dois fugitivos procurando um caminho melhor para suas vidas. Tomar conta do seu destino. E nisso entra a dificuldade, o drama de ser errante” – diz ele. Durante o filme, os personagens vão se transformando a ponto do protagonista deixar seu posto para o coadjuvante do enredo no momento em que os dois personagens começam a entender suas diferenças na troca de olhares.
As boas interpretações de Peter Ketnath e João Miguel são acompanhadas a altura pelos outros atores, na grande maioria, formados por nordestinos que nem eram atores por profissão, mas sertanejos legítimos que ajudaram a transpor a realidade ao filme. Com vozes baixas e olhares cansados, esses coadjuvantes roubam a cena com a interpretação de um lugar refletido em suas íris.
No caminhão do alemão Johann, as músicas que ressoam as cenas são tiradas do acervo do museu de discos de vinil de Christiano Câmara, que já rendeu o curta-metragem ”Rua Escadinha 162”. O diretor musical Tomás Alves de Souza separou os hits de 1942 para compor sua ambientação.
Com a produção de Sara Silveira, Maria Ionescu e João Vieira Jr, o filme lançado em 2005 venceu diversos prêmios pelo mundo. Além de ser destaque no festival de Cannes, venceu o prêmio de Educação Nacional Francesa e foi uma das apostas brasileiras entre os pré-indicados ao Oscar de 2007.
Por conta do prêmio de Educação em Cannes, o filme é exibido até hoje para milhões de estudantes em várias partes do mundo, mas nunca foi um arrasa quarteirão nas telas do cinema, talvez devido a sua temática realista, que muitos podem achar uma ferida dolorida demais para ser vista, porém trata-se de uma obra que deve ser conferida pelo simples fato de ajudar o Brasil a dar a expressão 7º arte ao cinema.
Marcos Ferreira Silva

sábado, 20 de novembro de 2010

Mulher, chuva e mesa de bar

charge: Diogo - JT
Caro leitor, antes mesmo de começar esse texto eu peço desculpas a todos por tudo. Nesse momento você deve estar perguntando-se: Desculpas pelo que? – E eu respondo: Por todas as baixarias fulas que vou transcrever a seguir. Porém, gostaria de reforçar que não há motivo revolucionário ou educativo para eu escrever isso, mas eu não podia deixar passar esta verdade, qual é fundamentada em experiências verídicas, algumas vezes contraditórias.
Vamos lá, vocês hão de concordar que mulher é idêntica ao tempo, principalmente nessa época de Catrina e tantos outros fenômenos naturais com nomes femininos. Mas por que diabos batizaram com nomes de mulheres os últimos tufões, tornados e vendavais que assolam o mundo? Essa é uma resposta simples. Vamos exemplificar isso usando novamente o Catrina: Ele é inesperado. Chegando de surpresa, o leva para aonde quiser sem que você possa reagir. Tão impressionante que você não consegue nem tirar o olho. Tem um poder de destruição incalculável (quando notamos já se foi o dinheiro, liberdade e nos casos mais graves o sujeito termina na sarjeta, ou se preferir, pode considerar o endereço da rua da amargura, número zero à esquerda), e como se fosse planejado, você está sempre perto e sem querer acaba dentro de um (a).
Quando tratamos de fronteiras Brasil, é só pensar no clima da capital Paulicéia. Bem cedinho você acorda, olha para o céu, analisa as nuvens e diz: Ótimo, vai fazer um sol maravilhoso hoje! – aí quando você coloca os pés para fora de casa, e provavelmente depois de ter se distanciado ao menos alguns quilômetros do seu ponto inicial, começa a chover em proporções desastrosas. Então no dia seguinte você faz o mesmo ritual; acorda, olha o céu, mede milimetricamente cada nuvem, especificando tonalidade de cor, brilho, contraste e nitidez, e só depois diz: Gente, hoje vai chover! – Daí você sai correndo para dentro de casa pegando capa, blusa e se atrasa pro trabalho por ficar procurando aquele “bendito” guarda-chuva que sempre resolve desaparecer em momentos assim, como num passe de mágica. Preciosos minutos depois, você dá fim ao paradeiro do tal guarda-chuva, que para finalizar está com o botão de abrir travado e com uma ponta da armação quebrada para fora, dando ao seu velho companheiro de temporais aquela aparência de ferragem misturado com tapa-sol de mendigo. Depois de tudo, você finalmente sai de casa. Caminha longos passos e, ironicamente, no mesmo ponto que um dia antes você mais parecia um miojo cozido na geladeira, o sol aparece estonteante, o qual não dava o ar da graça desde a manhã do dia anterior.
Perceberam? A mulher é igualzinha, praticamente um sinônimo do tempo. Sobre a comparação com o Catrina não vejo necessidade de qualquer comentário. Mas pense no clima de São Paulo e a mulher, é bem singular, não é? Pelo menos 95% delas são assim.
Ótimo, mas e a mesa de bar, onde entra nessa história? Conseguimos provar qualquer estudo sobre esse assunto numa mesa de bar. Veja:
Elas são paradoxais, não sabem o querem de verdade durante o decorrer do dia, pois suas ousadias e sentimentos não são expostos na missa dominical (lá elas pedem perdão das noites de sexta e de sábado), mas sim quando estão sentadas numa mesa de bar, rodeadas de vodka e bohemia e muita boêmia a from Hell.
Ironicamente, a mulher é uma dama imensurável da hora que acorda até chegar à porta do bar. No interior do “boteco” (ou nas cabaninhas do lado de fora) elas se transformam. Bebem, fumam demasiadamente, chupam os pescoços dos amigos, etc. Nessas horas não há mais pudor, a palavra foi provisoriamente riscada do dicionário, com aprovação da Academia Brasileira de Letras e tudo mais.
Quando o homem chama o perigo pro seu lado, ele é um safado? Não. Hoje a humanidade abriu os olhos para enxergar que a culpa, na maioria das vezes, é da mulher, pois elas têm o poder. Quando beijam a amiga durante longos quarenta e cinco segundos, e ainda mordiscam o lábio da companheira como se não quisesse mais largar é covardia. Enquanto isso os idiotas taradamente admiram, sabendo que depois elas vão dizer que era só brincadeira, que o negócio delas é homem e ponto. Disso eu nunca duvido, mas qual o meu percentual de culpa se fora de controle eu acabar com a brincadeira e tirá-las de cena para concluirmos a tese, dizendo: Agora você vem comigo.
Ok, eu tenho um amigo que diz resistir a tudo isso, mas na verdade, disso eu duvido, do resto eu não duvido mais de nada.
Conheço um bar de rock aqui em São Paulo chamado manifesto bar, mas devido ao nome e a falência do ritmo, deveria ser um bar de mulheres.
Há tempos atrás, neste bar, uma colega, singela e recatada, qual respeito muito profissionalmente deixou-me boquiaberto. E sabem de quem é a culpa? Do bar, logicamente. Se não fosse aquela cerveja que desce redondo e é boa, ela não diria: “Vamos sair daqui, transarmos a noite inteira e depois dizermos que não nos lembramos de nada e culpamos a cerveja que nos alteram os ânimos”. – não somos responsáveis por nada depois do segundo gole.
Pois é, mesa de bar é chuva com hora marcada quando o assunto é mulher. Todo chopp depois do trabalho, ou no horário daquela aula enforcada é misticamente revelador. Não existe Happy Hour inocente.
Até as mais politicamente corretas soltam as asinhas na hora B (Hora do Bar). Falam o que pensam daquela chefe ‘’idiota’’, que até então você achava que elas se amavam, unha e carne. E relatam detalhadamente o que pensam daquele colega de trabalho que almoça com vocês todos os dias, que nas palavras delas é lindo de morrer, um tesão.  E você, inocente, achava até aquele instante que ela o odiava. Ela brinda o afastamento da chefe e maldiz ao profundo poço das trevas o nome da ‘’loira fútil’’ que namora o carinha da repartição (as loiras são sempre as mais odiadas. Só há uma dentre todas que será poupada, no caso é a loira que tem a palavra).
E vai ter sempre aquele momento que a bebida sobe a cabeça e elas vão abaixo, com o coração ferido e as emoções tortas impulsionadas pelo excesso de vinho. E elas choram. Prometem não beber nunca mais, nem beijar a amiga. Liga para o ex, qual ela sempre enfatiza não passar de um idiota completo. Encharcam nossa blusa de lágrimas, enquanto ela diz tudo àquilo que você não espera... na segunda não se lembrará de nada, ou irá fingir não lembrar.
Agora fica fácil entender os pais dessas moças e o motivo de eles tanto quererem manter esses Catrinas debaixo de suas asas, no máximo destruindo o quarto (sozinhas, pelo amor de Deus).
Lamentamos profundamente todas as conseqüências do álcool nessa vida boêmia.
Moças, eu espero vocês na sexta, faça chuva ou faça sol...
Marcos Ferreira Silva

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fórmula 1 – Um campeonato em frases e comentários sórdidos

“Tivemos mais sorte que bom senso” - Red Bull sobre Vettel (Verdade)

“Realmente não esperava um resultado como esse, foi simplesmente enorme. No final, tivemos mais sorte do que bom senso. É bom desse jeito” - Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull (Alma  do esporte. O cara que honrou a Fórmula 1 em 2010)
“Nunca fiquei tão feliz em ver uma Renault e uma Mercedes bem. Até torci durante o pitstop do Kubica” - Christian Horner, chefe da Red Bull (É lógico)
“Temos que tirar o chapéu para o Sebastian, ele fez um grande trabalho durante todo o ano e liderou o campeonato na última prova, na hora certa. Ele está completamente de parabéns pelo título mundial” - Mark Webber, piloto da Red Bull (Inimigo Mortal)
“Acho que a ficha vai cair apenas quando eu for dormir. Mas nós vamos passar a noite em claro depois do que aconteceu” - Sebastian Vettel, novo campeão mundial (Garoto Feliz)
“Estou muito feliz por ele porque somos amigos e este foi um ano muito difícil para ele” -
Michael Schumacher, heptacampeão (Gostamos, ou não, mas esse sabe do que está falando)
“Não foi uma temporada espetacular para nós, mas quero dar meus parabéns para a Red Bull e para o Sebastian, eles fizeram um trabalho fantástico durante o ano” - Lewis Hamilton, segundo colocado em Yas Marina (Tem talento e um título que era do Massa)
“Ele se protegeu como se estivesse disputando o título comigo na última volta da última prova do campeonato. Ele foi muito agressivo” - Fernando Alonso, vice-campeão mundial, sobre Vitaly Petrov (O sujeito que não ganhou porque não honrou o esporte – mas já é duas vezes campeão)
“Apenas fiz o meu trabalho. Se ele tivesse tentado a manobra, então eu não iria querer bater, mas ele não chegou a isso” - Vitaly Petrov, em resposta a Alonso (Ousado)
“Em um circuito fantástico como esse, é uma pena que a ultrapassagem seja tão difícil” – Felipe Massa, brasileiro da Ferrari, sobre a pista em Abu Dhabi (Só assistiu o campeonato)
“Agora não temos que discutir os motivos pelos quais tomamos essa decisão. Ganhamos ou perdemos 
como uma equipe” – Stefano Domenicali, chefe da Ferrari (E esperamos que tenham aprendido que jogo de equipe é o mesmo que ser Dig Vigarista)

“Felicito calorosamente Sebastian Vettel pelo título do Mundial. Na última prova, ele conteve o nervosismo e mostrou a classe de um verdadeiro campeão” - Angela Merkel, chanceler alemã (Espero que ela não queira ir ao vestuário dessa vez)
“Com confiança, talento e disciplina, ele tem feito sucesso logo em seus 
primeiros anos na Fórmula 1 e já está na história do esporte. A equipe nacional alemã o parabeniza efusivamente” – Joachim Löw, técnico da seleção da Alemanha de futebol (Fashion)

“Acho que chamei a atenção das pessoas que importam e decidem” – Bruno Senna, piloto da Hidivia (O nome arrepia, mas o carro assusta)
“Termino o ano com a sensação de missão cumprida: fiz o melhor que pude com o que eu tinha” – Lucas di Grassi, piloto da Virgin (Confio nesse sujeito)
Marcos Ferreira Silva - seleção e comentários

domingo, 14 de novembro de 2010

Amor em três pontos

Amor. Essa é uma palavra que está na moda há tanto tempo, mas parece que para alguns essa palavra já não faz tanto sentido assim. Algumas teorias falam que ninguém vive sem amor. Isso generaliza muito. Amor, amor, amor... Só que as teorias gostam de ficar um pouco à parte quando os amores doem, se acabam, morrem, ou se só alguém ama. Eis a razão do sofrer.
Os teóricos saem de cena, para não falarem besteira, ou entregam nas mãos dos poetas. Por mais natural que seja, não dá para politizar esse sentimento.
Como deixar os estudiosos tentar explicar o que se passa quando o amor irrita a saudade durante a noite? Quando os sonhos perturbam a sanidade da razão de deixar esquecer. Nenhum deles poderá explicar isso. Talvez os psicanalistas? Talvez Freud? Prefiro deixar Drummond me ensinar. Camões dilacerar suas palavras. Coríntios 13 me mostrar o caminho que Renato unificou fora às crenças.
Até o bom sensacionalista Lobo das canções sabe mais de amor que muitos estudiosos, Por tudo que For... por tudo que nunca entendemos...
Quando os nossos sonhos trazem a dor do ontem, ninguém vai poder nos virar com uma fórmula mágica e nos ensinar o que nunca aprenderemos. Aquilo que nunca esquecemos e nunca saberemos explicar. O que nos causa frio e interpela o corpo numa dor de não saber o que realmente passou... Por que é triste e eu não quero nem lembrar...
Marcos Ferreira Silva