sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Criolo e a sua faceta de fazer música

Em 22 anos de carreira, o músico paulistano do Grajaú fez do rap um grito preso na garganta da periferia, mas ele foi além. Criolo ganha a cada dia o respeito do público e da crítica por causa da sua impressionante versatilidade musical.
Quando a MTV começou a vincular o clipe da música “Subirusdoistiozin”, o público que ainda não conhecia o trabalho do artista podia imaginar que era um bom cantor de rap, com um vocal diferenciado, e letras cheias de metáforas e gírias escancaradas com muita criatividade, como prova o nome da própria faixa em questão, escrita conforme se é pronunciado.
No bom e velho rap, o MC, como gosta de ser chamado, tem uma voz mais escrachada, não pelo lado negativo, mas incorporando a mensagem real implantada em suas letras repletas de rimas e críticas sociais.
De repente, você ouve um som do Criolo Doido, hoje somente Criolo, que mais se parece com a introdução de uma canção de Os Paralamas do Sucesso, isso é “Bogotá”, faixa que abre o seu segundo disco, “Nó na Orelha”, de 2011 – isso mesmo, o segundo disco em 22 anos de carreira. A música viaja entre um afrobeat e o ska, com uma letra carregada de críticas e metáforas.
As ousadias do disco são ouvidas faixa a faixa. O samba “Linha de Frente” e o dub “Samba Sambei” são outros exemplos de como esse rapper de coração pode alcançar outras linhas musicais sem perder a essência. Mas lá também está o rap que estávamos esperando ouvir desde o início em “Grajauex”, “Sucrilhos” e “Lion Man”, além do samba misto com rap e batidas afro “Mariô”.
O músico disse em entrevista à jornalista Marilia Gabriela, em seu programa De Frente com Gabi, que para ele a música brasileira é muito rica e merece ser explorada. Artista por natureza, Criolo defende sua música e defende sua poesia com sinceridade de quem pode passear pelo rap, soul, samba, rock e ser pop sem intenção pragmática de ser diferente.
O instrumental de todo o disco é rico em cordas, metais, piano, percussões e pick ups, perpetuando as diferenças do álbum em relação aos outros discos de rap, se assim podemos chamar o nó nos ouvidos que o trabalho de Criolo nos causa.
E o disco ainda surpreende muito mais. Criolo criou um retrato de São Paulo, “Não existe amor em SP”, digno de se juntar aos poemas paulistas de mestres como Caetano Velozo (Sampa) e Adoniran Barbosa (Trem das 11). Falando de um modo contrário aos demais relatos, Criolo não enxerga o amor tradicional existente em SP, mas mantém a beleza e a confusão que é a própria cidade, ouso dizer, chegando ao topo da sua poesia.
Outra dose musical de bom gosto do álbum é o quase bolero “Freguês da meia-noite”, no qual o cantor alcança um tom vocal que surpreende. Grave e às vezes sussurrado, como Julio Iglesias em sintonia com a lembrança da voz de Nelson Gonçalves, provando que a boemia aqui está de regresso.


Para fazer o Download do disco completo, clique aqui

Marcos Ferreira Silva

sábado, 31 de dezembro de 2011

Simples retrospectiva

Começo a escrever esse texto pontualmente, e por mero acaso, à zero hora do dia 31 de dezembro de 2011.
Faltam menos de 24 horas para o ano acabar. A sensação é estranha, no mínimo. Não há como não parar um instante e se por a pensar em tudo o que aconteceu. Dias intempestivos. Emoções a flor da pele. Raiva, alegria, desejos e mudanças.
Me apaixonei. Amor de verdade... Voltei a fazer Rock. E (deixando a modéstia de lado) rock do bom, diga-se de passagem.
Mas não quero falar das minhas experiências hoje. Quando assisti a tradicional retrospectiva da Globo, revi coisas que a memória tinha apagado. Kadafi morreu. Paulo Renato Souza e suas idéias para educação também. Moacir Scliar não escreve mais. Lula e Gianecchini têm câncer. Joãozinho Trinta não faz mais samba.
O Pearl Jam veio ao Brasil, e lá estava eu. Mas a Britney e o Bieber também (esses eu não fui). O U2 fez o chão tremer. A Pitty no Rock in Rio também. O Tedect emocionou no palco. Foi um ano memorável.
E triste também... 12 crianças e um assassino. 13 mortes e um país em choque. A presidente Dilma Rousseff chora.
Fórmula 1 é um fracasso para o Brasil. UFC um sucesso. Timão é Penta. Barcelona é o melhor time do mundo, mas o Santos tem o seu mérito.
Foram tantas tragédias. Mas o que houve em 11 de janeiro não pôde ser esquecido. Um estado inteiro submerso. Centenas de mortes e uma realidade assustadoramente imprudente e corrupta. A tragédia mostrou despreparo do poder público ao realizar obras de prevenção, e o cúmulo da infidelidade ao dinheiro e a dignidade do povo, deixando milhares de pessoas com a ajuda única dos céus.
Um mundo dá dicas de que chegou a sua reta final. Os Maias garantiam que não passávamos de 2012. Agora, o que vai ser? Continuo com meu violão, pondo-me a pensar... Que venha o que tiver de vir!



Marcos Ferreira Silva

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quem é Tedect?

Não costumo misturar o meu blog pessoal com assuntos da minha vida musical, no entanto, hoje vou abrir uma exceção. Talvez no futuro eu crie uma página falando apenas sobre isso, mas vamos que vamos.
O Tedect é um projeto musical do qual ajudei a criar em 2007, mas os vídeos que vocês vão ver abaixo fazem parte de uma formação mais recente. Cláudia Cajado (vocal), Bruno Mazetti (bateria / teclado), Weber Moraes (baixo), Carlos Augusto (guitarra / violão) e eu, Marcos Ferri (guitarra / violão), nos juntamos no início de 2011, com a intenção de fazer um bom rock. Eis a formação definitiva!
Essa banda agora planeja novos ares para 2012. Venha e conheça o Tedect!
Os vídeos abaixo são da apresentação que o grupo fez em novembro deste ano, na casa de espetáculos Beco na Vila, em Osasco.
Bom som!




Siga a gente no twitter: @tedect_oficial e no facebook: Tedect. Veja também nosso blog, que em breve passará por uma reformulação: http://tedect.blogspot.com.
Em 2012 o nosso site oficial estará disponível com todas as novidades da banda!
Marcos Ferreira Silva

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Retorno

Caros amigos,
Estamos de volta ao bom e velho blog.
Sei que esta pobre página esteve muito parada nos últimos tempos, mas esse recesso acabou! 
Com o fim de uma etapa importante em minha vida, "A Crônica do dia" volta a ser um filho com atenção do pai.
Perdido com as novidades do blog, em breve teremos novo layout.
Abraço

sábado, 17 de setembro de 2011

A verdade sobre os jornalistas

Esse texto vale um copia e cola!
JORNALISTA não fala – informa;
JORNALISTA não vai à festa – faz cobertura;
JORNALISTA não acha – tem opinião;
JORNALISTA não fofoca – transmite informações;
JORNALISTA não pára – pausa;
JORNALISTA não mente – equivoca-se;
JORNALISTA não chora – se emociona;
JORNALISTA não some – trabalha em off;
JORNALISTA não lê – busca informação;
JORNALISTA não traz novidade – dá furo de reportagem;
JORNALISTA não tem problema – tem situação;
JORNALISTA não tem amigos – tem muitos contatos;
JORNALISTA não briga – debate;
JORNALISTA não usa carro – mas sim veículo;
JORNALISTA não passeia – viaja a trabalho;
JORNALISTA não para pra tomar café – dá uma pausa pra atender o celular;
JORNALISTA não conversa – entrevista;
JORNALISTA não faz lanche – almoça em horário incomum;
JORNALISTA não é chato – é crítico;
JORNALISTA não tem olheiras – tem marcas de guerra;
JORNALISTA não se confunde – perde a pauta;
JORNALISTA não se acha – ele já é reconhecido;
JORNALISTA não influencia – forma opinião;
JORNALISTA não conta história – reconstrói;
JORNALISTA não omite fatos – edita-os;
JORNALISTA não pensa em trabalho – vive o trabalho;
JORNALISTA não é esquecido – é eternizado pela crítica;
JORNALISTA não morre – coloca um ponto final.
Autor desconhecido

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Diário de bordo - parte 01

Foi estranho olhar o calendário hoje. Lá estava marcada a chegada da lua nova, exatamente a meia-noite e quatro minutos do dia 29 de agosto... nossa, mas o ano começou ontem mesmo! Já está acabando o ano, que de modo clichê enfatizo que passou voando.
Isso me fez lembrar algo que a mente havia rapidamente apagado. Há exato um ano e quinze dias eu realizava a única viagem para o nordeste brasileiro que a minha mente se lembra, pois já havia visitado aquelas terras secas aos três anos, no entanto a idade não me permitiu gravar muita coisa na memória.
O que me arrastou até lá foi a necessidade de socorro a minha avó, dona Lindaura, hoje, nos altos dos seus 87 anos, vive enfurnada em um apartamento em São Paulo. Medida necessária para manter acesa a sua condição de saúde, naturalmente abalada pela idade, mas ainda boa - assim mesmo comparada.
O vôo emergencial naquela sexta-feira foi calmo. Lembro do momento em que minha mãe, também única acompanhante na viagem, e eu pousamos no moderno e bonito aeroporto Zumbi dos Palmares. Porém, fora dos limites do “pousador de avião”, fui conhecer uma outra realidade.
Nosso destino era uma cidadezinha distante de Maceió, Inhapi. Para chegar lá, só de van. Já estávamos alertados das condições. Viajamos quatro horas por uma estradinha de mão dupla, com apenas duas faixas e praticamente deserta.
Era tempo de inverno e as plantações estavam imponentes, repletas de milho verde e gado gordo. Poucas casas, grandes descampados que se perdiam de vista no horizonte, algumas florestas, rios e açudes cheios. Mamãe, filha daquela terra, fez questão de ressaltar: “nem sempre é assim”.
Exaustos, chegamos à cidade. Atípica de tudo que conhecia. Pobre paulistinha ignorante da vida real. Fiquei surpreso com o que via. O centro de Inhapi é quase um vilarejo no qual se percorre de ponta a ponta em um piscar de olhos.
As ruas de paralelepípedo, poucos carros. Casas antigas e simples... a praça, a sorveteria e a igreja. Longe de tudo e todos. Jovens de uma cultura bem diferente em relação a um nativo de São Paulo. Um perfil diferente do meu, nem melhor nem pior, apenas diferente.
Notei que a maioria desses garotos e garotas eram amantes de motos – o melhor meio de transporte para correr a capital e o sertão. Lembro de um garoto limpando sua moto no meio da cidade. Com uma caixa de som que tocava um típico tecno-brega.
Ao percorrer aquelas ruas notei que não passaríamos despercebidos. A cidade era pequena e um rosto novo era facilmente notado...
Continua...
Marcos Ferreira Silva

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu queria ser Xico Sá

Eu sei que é arrastar asa demais, mas eu queria ser o Xico Sá. Queria porque ele é um em mil nesses tempos de hoje. Falta talento nas ondas virtuais da internet.
Cronista bom é cronista morto, tirando o Xico. Sagaz, ele fala do seu futebol com um Cartão Verde em punho, vive as reportagens que a pauta lhe pede, mas nos delicia mesmo é com seus textos sacanas e despretensiosos.
Mas porque eu queria ser Xico? Para poder proferir palavras diárias com a genialidade dele. Viajar da política do congresso ao passeio por São Paulo, do romantismo ao sarcasmo. 
Eis aí o nosso Nelson Rodrigues conectado!  Pois é meu caro, bom gosto ultrapassa o tradicionalismo!
Ah, ele consegue, em meio à correria, escrever uma ótima crônica todos os dias. Só por isso merece minhas palmas!
É, o Xico nos sacia a saudade de Rubem Braga.
Para tanto, convido-os para prestigiar o autor inspiração. Acessem: www.xicosa.folha.blog.uol.com.br
Marcos Ferreira Silva