sábado, 4 de fevereiro de 2012

O aniversariante por fotos e canções

São Paulo fez 458 anos, e eu, na correria de sempre, típica dessa cidade, não tive sequer tempo para parabenizar essa terra que recebe declarações de amor e ódio todos os dias.
Os poetas da música ao longo dos últimos 50 anos fizeram retratos precisos da metrópole da agitação, que não é o Rio, mas também é o cenário da beleza e do caos...
Sampa
Caetano Veloso
Rua Xavier de Toledo, em 1957
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

Marcos Ferreira Silva

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Segredos


“A vida é realmente uma caixinha de surpresas” -, isso é tão clichê e tão verdadeiro. Isso acontece pelo fato de sermos lotados de coisas secretas, cofres enfiados peito abaixo. Ninguém nesse mundo tem uma vida que seja realmente um livro aberto, mesmo que seja, nem todos pararão para ler. Talvez quem venha até ti vai procurar um capítulo específico, qual o lê e vai embora.
Além disso, enquanto a pessoa lê você está escrevendo mais páginas. Compulsivo e aficionado ao deslumbre do que acontece. Uma espécie de Stephen King da rotina da vida real. Outra pessoa não sabe que montas uma nova página desse livro que tolamente chamamos de vida.
Vida... Algo que nasce, se desenvolve e apaga, como um candelabro em uma ventania... a vida... misteriosa como é, a luz proveniente dessa tocha de fogo não cobre tudo que queríamos cobrir. Se cobre de um lado, descobre de outro.
Nesse espaço, entre uma lapada de luz e outra, objetos ficam no breu do anonimato, coisas que apenas nós sabemos. Quando lembramos fingimos esquecer, se esquecemos um dia a memória traz de volta, como um sumo sacerdote, fiel e vivo como sempre fora.
É dessas lacunas que se fazem os grandes mistérios que cada um de nós carrega. Não adianta fingir que não possui isso. Todos nós somos dependentes desses segredos que adocicam ou amargam nossa vida. Contar-lhes pode ser loucura ou sacrifício, esconder é tortuoso e triste.
É aquilo que quer falar e não fala, que quase sai como um grito, mas termina mesmo é num sussurro, apático e inexpressivo. E carrega-o como uma leve dor de cabeça em uma quarta-feira à tarde, da qual não consegue se livrar, mas que também não lhe cabe reclamar. Leva em silêncio, enquanto a dor inflama, piora a olhos vistos, mas sem que você se pronuncie a respeito.
E a dor que já lateja te consome, e você, abominando aquilo tudo, toca em frente. Mudo, à base de analgésicos, escondendo de si mesmo aquilo que gostaria de esquecer, torcendo inutilmente que passe após uma revigorante noite de sono. E consideras aquilo normal e corre ao trabalho na manhã seguinte.
Marcos Ferreira Silva

domingo, 22 de janeiro de 2012

Rita Lee Jones e a saudade do Rock Brasuca

A Rita Lee vai deixar os palcos, e isso me assustou. Mais uma do bom rock brasileiro que sai de cena, talvez a melhor, a rainha.
Quando a vida ou o esquecimento não os levam, o corpo cansa. A rainha não reinará nos palcos, mas ainda dará o ar da graça e do talento em novos álbuns que prepara ainda para lançamento esse ano.
“Aposento-me de shows, da música nunca”, declarou Rita Lee no Twitter. O último CD lançado por Rita Lee foi "Balacobaco", em 2003.
Desde os tempos de Mutantes, fase que pouco é lembrada por ela, Rita é a garotinha do rock. Para Caetano Veloso, a dona “da deselegância discreta” das meninas de São Paulo.
Hoje, a soberana larga o palácio, mas não o reinado!
Agora eu pergunto: Será que ela deixou uma herdeira?

Marcos Ferreira Silva

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Criolo e a sua faceta de fazer música

Em 22 anos de carreira, o músico paulistano do Grajaú fez do rap um grito preso na garganta da periferia, mas ele foi além. Criolo ganha a cada dia o respeito do público e da crítica por causa da sua impressionante versatilidade musical.
Quando a MTV começou a vincular o clipe da música “Subirusdoistiozin”, o público que ainda não conhecia o trabalho do artista podia imaginar que era um bom cantor de rap, com um vocal diferenciado, e letras cheias de metáforas e gírias escancaradas com muita criatividade, como prova o nome da própria faixa em questão, escrita conforme se é pronunciado.
No bom e velho rap, o MC, como gosta de ser chamado, tem uma voz mais escrachada, não pelo lado negativo, mas incorporando a mensagem real implantada em suas letras repletas de rimas e críticas sociais.
De repente, você ouve um som do Criolo Doido, hoje somente Criolo, que mais se parece com a introdução de uma canção de Os Paralamas do Sucesso, isso é “Bogotá”, faixa que abre o seu segundo disco, “Nó na Orelha”, de 2011 – isso mesmo, o segundo disco em 22 anos de carreira. A música viaja entre um afrobeat e o ska, com uma letra carregada de críticas e metáforas.
As ousadias do disco são ouvidas faixa a faixa. O samba “Linha de Frente” e o dub “Samba Sambei” são outros exemplos de como esse rapper de coração pode alcançar outras linhas musicais sem perder a essência. Mas lá também está o rap que estávamos esperando ouvir desde o início em “Grajauex”, “Sucrilhos” e “Lion Man”, além do samba misto com rap e batidas afro “Mariô”.
O músico disse em entrevista à jornalista Marilia Gabriela, em seu programa De Frente com Gabi, que para ele a música brasileira é muito rica e merece ser explorada. Artista por natureza, Criolo defende sua música e defende sua poesia com sinceridade de quem pode passear pelo rap, soul, samba, rock e ser pop sem intenção pragmática de ser diferente.
O instrumental de todo o disco é rico em cordas, metais, piano, percussões e pick ups, perpetuando as diferenças do álbum em relação aos outros discos de rap, se assim podemos chamar o nó nos ouvidos que o trabalho de Criolo nos causa.
E o disco ainda surpreende muito mais. Criolo criou um retrato de São Paulo, “Não existe amor em SP”, digno de se juntar aos poemas paulistas de mestres como Caetano Velozo (Sampa) e Adoniran Barbosa (Trem das 11). Falando de um modo contrário aos demais relatos, Criolo não enxerga o amor tradicional existente em SP, mas mantém a beleza e a confusão que é a própria cidade, ouso dizer, chegando ao topo da sua poesia.
Outra dose musical de bom gosto do álbum é o quase bolero “Freguês da meia-noite”, no qual o cantor alcança um tom vocal que surpreende. Grave e às vezes sussurrado, como Julio Iglesias em sintonia com a lembrança da voz de Nelson Gonçalves, provando que a boemia aqui está de regresso.


Para fazer o Download do disco completo, clique aqui

Marcos Ferreira Silva

sábado, 31 de dezembro de 2011

Simples retrospectiva

Começo a escrever esse texto pontualmente, e por mero acaso, à zero hora do dia 31 de dezembro de 2011.
Faltam menos de 24 horas para o ano acabar. A sensação é estranha, no mínimo. Não há como não parar um instante e se por a pensar em tudo o que aconteceu. Dias intempestivos. Emoções a flor da pele. Raiva, alegria, desejos e mudanças.
Me apaixonei. Amor de verdade... Voltei a fazer Rock. E (deixando a modéstia de lado) rock do bom, diga-se de passagem.
Mas não quero falar das minhas experiências hoje. Quando assisti a tradicional retrospectiva da Globo, revi coisas que a memória tinha apagado. Kadafi morreu. Paulo Renato Souza e suas idéias para educação também. Moacir Scliar não escreve mais. Lula e Gianecchini têm câncer. Joãozinho Trinta não faz mais samba.
O Pearl Jam veio ao Brasil, e lá estava eu. Mas a Britney e o Bieber também (esses eu não fui). O U2 fez o chão tremer. A Pitty no Rock in Rio também. O Tedect emocionou no palco. Foi um ano memorável.
E triste também... 12 crianças e um assassino. 13 mortes e um país em choque. A presidente Dilma Rousseff chora.
Fórmula 1 é um fracasso para o Brasil. UFC um sucesso. Timão é Penta. Barcelona é o melhor time do mundo, mas o Santos tem o seu mérito.
Foram tantas tragédias. Mas o que houve em 11 de janeiro não pôde ser esquecido. Um estado inteiro submerso. Centenas de mortes e uma realidade assustadoramente imprudente e corrupta. A tragédia mostrou despreparo do poder público ao realizar obras de prevenção, e o cúmulo da infidelidade ao dinheiro e a dignidade do povo, deixando milhares de pessoas com a ajuda única dos céus.
Um mundo dá dicas de que chegou a sua reta final. Os Maias garantiam que não passávamos de 2012. Agora, o que vai ser? Continuo com meu violão, pondo-me a pensar... Que venha o que tiver de vir!



Marcos Ferreira Silva

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quem é Tedect?

Não costumo misturar o meu blog pessoal com assuntos da minha vida musical, no entanto, hoje vou abrir uma exceção. Talvez no futuro eu crie uma página falando apenas sobre isso, mas vamos que vamos.
O Tedect é um projeto musical do qual ajudei a criar em 2007, mas os vídeos que vocês vão ver abaixo fazem parte de uma formação mais recente. Cláudia Cajado (vocal), Bruno Mazetti (bateria / teclado), Weber Moraes (baixo), Carlos Augusto (guitarra / violão) e eu, Marcos Ferri (guitarra / violão), nos juntamos no início de 2011, com a intenção de fazer um bom rock. Eis a formação definitiva!
Essa banda agora planeja novos ares para 2012. Venha e conheça o Tedect!
Os vídeos abaixo são da apresentação que o grupo fez em novembro deste ano, na casa de espetáculos Beco na Vila, em Osasco.
Bom som!




Siga a gente no twitter: @tedect_oficial e no facebook: Tedect. Veja também nosso blog, que em breve passará por uma reformulação: http://tedect.blogspot.com.
Em 2012 o nosso site oficial estará disponível com todas as novidades da banda!
Marcos Ferreira Silva

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Retorno

Caros amigos,
Estamos de volta ao bom e velho blog.
Sei que esta pobre página esteve muito parada nos últimos tempos, mas esse recesso acabou! 
Com o fim de uma etapa importante em minha vida, "A Crônica do dia" volta a ser um filho com atenção do pai.
Perdido com as novidades do blog, em breve teremos novo layout.
Abraço